Cid tem a mesma “pouca disposição para o diálogo” dos governos anteriores do Cambeba. Argumentos contra a instalação do tal estaleiro numa das regiões mais habitadas de Fortaleza não faltam governador (“Cid diz que não sabe de nenhum argumento válido para não instalar estaleiro no Titanzinho – O Povo, 25/jan/10). É uma pena que muitos de nossos economistas, administradores e outros burocratas da mesma igualha não consigam ver o mundo além de números e dados. Afora questões ecológicas, há de se respeitar a tradição, a cultura e o direito das pessoas continuarem morando ali – não é o fato de ser uma região pobre que se pode descarta esses elementos!Cid já agiu assim no Porto do Pecém – não negociou com os anacés ou com as populações locais e não esclareceu aos cearenses dos sérios prejuízos que a tal siderúrgica vai trazer, em termos de questões ambientais e de saúde pública. Siderúrgica a carvão é coisa do inicio do século XVIII e em muitos lugares do mundo, pelo menos naqueles lugares que as elites chamam de “civilizados”, é algo não mais aceito. Aqui no Ceará, faz-se um oba-oba danado e se apronta como a solução de “todos nossos problemas”, pois vão gerar emprego e renda...Emprego e renda para quem, cara pálida? Cid continua repetindo o mesmo modelo econômico adotado na Geração Cambeba (Tasso, Ciro e Lúcio). É o modelo que faz a economia crescer, mas a riqueza permanece concentrada. Não é ganhando um salário mínimo que se mudará a realidade de nosso povo! Infelizmente, não há debate no Ceará sobre isso. Impera no estado o pensamento único, aquele que agrada aos empresários que mandam e desmandam em nossa sociedade desde a eleição do “Galeguinho” em 1986. Nesse sentido, o governo Cid não apresenta nada de novo. O Ronda do quarteirão é muito mais uma ação publicitária. Não basta colocar homens armados nas ruas e construir cadeias, como imaginam os conservados e as assustadas classes médias, mas debater que tipo de segurança pública se deseja, com ações integradas de prevenção e de ressocialização. Cid ainda tem que explicar algumas coisas, a exemplo do porque estabeleceu um monopólio no sistema de transporte intermunicipal do estado, favorecendo exatamente empresas que foram grandes colaboradoras de sua campanha? Vale a pena construir um “aquário”, favorecendo o setor turístico-empresarial, se nosso povo tem necessidades? A imprensa alardeia que o atendimento ao cidadão é ruim nos órgãos públicos, mas não consegue explicar a razão. Ora, porque ali são atendidas pessoas pobres. No fundo, acabamos voltando para a questão das classes sociais, conforme dizia Marx, companheiro velho de guerra.
No Brasil e no Ceará, não há espírito republicano. As elites e classes médias querem primeiro para si e, depois, para si ainda! Então, os pobres não têm importância. É até cômico ver esses empresários do Ceará falando de concorrência e mercado, quando ganham fortuna recebendo toda sorte de privilégios dados pelo Estado. O governo ajuda grande empresário, mas sufoca o mesmo e o pequeno comerciante e produtor...É uma elite que adora pousar de “moderna”, mas anda de Hilux (carro típico de zona rural), não respeita faixa de trânsito (em vários lugares do Brasil, como Natal e Brasília, se alguém colocar o pé na faixa, o carro para – aqui é provável que acelere) e acha normal se exibir nas praias (mesmo que coloque em risco a vida de banhistas). É uma elite que odeia história (livro de história, então, nem se fala, embora adore livro de auto-ajuda – o DN, inclusive, fez um editorial criticando o “radicalismo” de alguns autores de história...) e coloca abaixo todos os prédios “velhos e cafonas”. Para os donos do dinheiro no Ceará, bonitas são as torres de aço, vidro e vazias de sentimento...
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Por Airton de Farias






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